O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

A BÁRBARIE E O RISCO DA IMPUNIDADE NO CASO HENRY

Atualizado: Abr 17


Por instinto de preservação da minha própria sanidade e equilíbrio emocional, me prometi não mais acompanhar, quiçá abordar o crime hediondo contra o menino Henry!


Muito embora, logo que a barbaridade foi revelada publicamente, eclodiu como uma bomba, ainda fui impelido a entrar em um debate virtual sobre uma hipotética conduta sexista da imprensa e judiciário na abordagem sobre o episódio.


A insinuação e crítica residia em um olhar enviesado, carregado sobre a mãe, em detrimento de uma condução mais amena sobre o vereador, médico monstro. Essa percepção esteve aqui e alhures em minha “timeline”, em mais de uma oportunidade.


Na ocasião, expus lá o que reafirmo aqui: não vejo qualquer espaço para relativização, proselitismo, bandeira de luta sectária, ou o que for, no caso.


Não tenho lugar de fala no feminismo e tenho profundo respeito às vozes que bravamente ocupam este terreno secularmente, mas tenho propriedade a tratar sobre paternidade, cuidado e zelo, e neste caso em questão, nada, absolutamente nada se sobrepõe a covardia que se abateu sobre uma criança.


Não tolero, ou tenho qualquer tipo de complacência com maus tratos à crianças, indefesos, vulneráveis e, se a permissividade vem de negligência de pai, ou mãe, é a brutalidade elevada a pior faceta humana.


Me desculpem os engajados fulltime, mas em muitos casos nossos problemas de análise e transmissão de conceitos contra o que está estabelecido, imposto, reside exatamente aí: no desfoque sobre o que de fato é relevante e inegociável.


Não há brecha para outra ponderação neste processo, mais especificamente agora, neste momento. Qualquer outra tentativa de interpretação diversa subjaz a selvageria a que uma criança foi submetida, com, pelo menos, uma latente conivência materna (ou, alguém aqui que tem filhos, duvida do ímpeto natural de ação que se mobilizaria apenas com a suspeita de ter um rebento sendo torturado? E tudo isso está explícito que era do conhecimento da genitora).


Mas, deixando de lado a questão de encaixe de discurso, oportunidade adequada para militância entre outros...


Ao olhar para o que aconteceu ao Henry é inevitável pensar no meu Benjamin. Ele também, vulnerável, no “alto” dos mesmos 4 anos de total entrega e dependência.


Desde o início essa selvageria me tirou o norte, chorei copiosamente, fugi de atualizações sobre os fatos, mas eles nos sugam de volta, invariavelmente. Fugir, se omitir desta terrível verdade parece nos fazer negligentes a dor solitária, abandonada do menino mais uma vez e de novo, de novo...


Isso é massacrante, corrói por dentro. Eu, aos 40 anos, independente, senhor dos meu atos, não faço idéia do que é não ter a quem recorrer para ser acolhido. Pior, ter entre os que deveriam representar proteção, a personificação dos algozes. É aterrador imaginar o sofrimento do Henry, por dias, horas a fio!


Mas eu não traí os meus instintos e pactos individuais de não me aprofundar nesta barbaridade apenas para frisar estas coisas que já havia compartilhado aos próximos.


Uma nova movimentação salta aos olhos.


Meu sinal de alerta foi ligado à tentativa de direcionar holofotes a babá.


Ela, que de fato, modificou depoimento, já surge questionada até pelo pai do garoto.


Pai, que pelas evidências, assim como os avós maternos, tinham conhecimento dos indícios de agressões, no mínimo total ciência do desconforto da criança, mas nunca levaram aquelas suspeitas adiante.


Posso ser eu agora a estar avançando situações, mas neste ritual assassino diabólico de padrasto, mãe etc, não se surpreendam se a babá for o alvo da defesa para inverter o jogo e livrar ou amenizar os monstros!


Afinal, ela quem expôs a assustadora realidade de que todos tinham algum tipo de ciência das atrocidades contra o garoto!


Quem duvida da criação de um bode expiatório explorando o elo frágil, sem costas largas, neste Brasilzão de arranjos, tramóias e impunidade secular??


Se queremos estar atentos e zelar pelo lado desfavorecido, além do menino Henry, não é preciso muito esforço para saber onde se situa o injustiçado historicamente nesta tragédia nacional!


*Título original com Eliseu Lins.

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