O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

"Apesar de vocês", aqui em casa vai ter Copa com cores e vibração


Foto Montagem: Denise Dias

Ben conheceu Pelé.


Foi um encontro mágico entre gerações.


O Rei do Futebol e um garoto prestes a acompanhar a primeira Copa do Mundo.


Pelé não tem lances multicoloridos em alta definição.


Sequer uma mísera figurinha exclusiva no álbum da Copa 2022.


Mas foi ele quem meu garoto me pediu, fervorosamente, para ver.


Não foi Messi, CR7, nem Neymar.


Momento solene.


Nem eu vi Pelé jogar ao vivo.


Minha devoção ao maior jogador de todos os tempos nesta, ou em qualquer era futura deste, ou outro mundo, é através dos registros que existem.


Poucos, raros lances, nem um quinto da genialidade do Rei está eternizada.


Pelé não está em high definition lembra?


Mas foi assim que Ben o viu, em preto e branco, estética avessa a gerações novas.


Tudo parece embaçado e em câmera lenta, a duas cores.


Mas Pelé faz até o precário ser divino.


Meu filho gostou, eu me realizei com o inusitado pedido e compartilhamento a dois.


Repito, é difícil fazer estas gerações entenderem e se interessarem pelo passado, o que está envelhecido nas prateleiras da história.


Algo quase matusalênico, então...


Talvez, essa superficial ojeriza, desprezo pela origem das coisas explique muito sobre as insanas tentativas de repetição de eras inglórias da história, como a que vivemos: “Intervenção Federal” e outras mazelas do pensamento humano.


Pois bem, para não ficar apenas no romantismo da bola no campo, um dia explico a meu caçula a diferença entre Pelé e Edson Arantes do Nascimento.


O quanto o segundo poderia se valer da realeza do primeiro, a influência do ser extraterreno, para ter feito mais, muito mais no campo político e racial, especificamente.


Sim, porque aqui em casa, desde cedo, desde sempre, debatemos Futebol...


O do campo e o alienante extracampo, de jogadores como cidadãos despolitizados, espelho social de um país instruído a ser alheio desde o "berço esplêndido".


Política e religião, também estão sempre à mesa em casa, às vezes lado a lado, juntos e misturados, com a criticidade e liberdade permanentes.


A “Santa Trindade” da omissão nacional não tem tabu caseiro.


Contrariamos a máxima: “não se debate futebol, política e religião”.


Mais um jargão condicionante, conformista da nossa cultura.


Nesta perspectiva, logo é Copa do Mundo e estamos ansiosos, de alma lavada, sem dramas, nem traumas para curtir.


Afinal, "tá na hora de já ir..."


Meus filhos e eu usaremos juntos a camisa da seleção brasileira (a minha é de 82, tem salvo conduto natural sob aval do Dr. Sócrates), talvez até estampemos cores do Brasil (não garanto), podemos vibrar com os gols e jogadas do menino mimado sonegador Neymar, mas Ben saberá o quão alienante é o uso destes símbolos ao longo da nossa trajetória, enquanto país:


“Brasil, ame-o, ou deixe-o...”


“Todos juntos vamos, pra frente, Brasil. Salve a seleção!”


"90 milhões em ação..."


“Deus, Pátria, Família...”


Ou, simplesmente, a marcha atual e patética destes fanáticos, verdadeiro exército de aloprados.


Segue o jogo...

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