O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

AQUELE GOL HISTÓRICO


O que a Copa do Mundo de Futebol Feminino poderia nos ensinar sobre política pública social??

Calma, não se espantem com a pergunta. A questão é que a bola está rolando há exatamente uma semana na França. Nunca antes o esporte mais popular do mundo tinha recebido na categoria feminina tamanha estrutura, exposição midiática e suporte em geral. O investimento no evento se potencializa ainda mais quando somado as normatizações e novas regras para valorização da prática das mulheres feita pela FIFA (entre as quais obrigatoriedade de manutenção de times femininos pelos clubes etc).


Ok, ok, em absoluto o valor destinado a Copa do Mundo e a movimentação global ainda é infinitamente inferior ao masculino, mas, em outra frente, proporcionalmente muito superior a qualquer outra época em futebol feminino. Em alguns casos a mudança já é radical e o processo de transformação é agora: as australianas, adversárias do Brasil nesta sexta, pela segunda rodada do mundial, tiveram salários igualados aos homens. No outro extremo, aqui, no país do futebol, nossa seleção tem apenas uma mulher em seu corpo técnico (cota mínima exigida pela Federação Internacional, mas pela primeira vez na história temos duas divisões nacionais e uma competição sub-17 garantida pela CBF). Mesmo tardias, essas ações integradas representam um pontapé para um novo tempo e tratamento. É um caminho sem volta no desenvolvimento da prática e estrutura entre as mulheres.


"Ô narrador, mas continuo não vendo lógica na associação entre o jogo de bola “das mina” e a vida do povão!?!?!"


Vamos “debulhar”. Se até a FIFA, que é uma entidade privada, finalmente compreendeu (dentre outros interesses do próprio mercado, claro), que para reduzir o imenso abismo entre o futebol Masculino e Feminino era imperativo uma atuação/intervenção direta na promoção das mulheres, o que esperar do poder público no trato com as desigualdades de uma população, por exemplo??


A lição básica, o exercício óbvio é compreender que categorias, modalidades, gêneros, ou classes sociais historicamente desfavorecidas, precisam de impulso extra para desenvolver-se e igualar ou, no mínimo reduzir a diferença de oportunidades e espaço em relação aos outros.


Portanto quando você, liberal, defensor do livre e absoluto mercado, for criticar as cotas, bolsa família, "Minha Casa, Minha Vida e outras ações de assistência básica/afirmação de grupos, lembre que, se até a controversa e mercadológica FIFA busca um tratamento mais justo entre seus “produtos” porque o Estado não deve ter mais atenção com os “filhos” que mais precisam??


Não existe meritocracia em condições diferentes de disputa... nos campos, ou na vida...

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