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O BURACO DA FECHADURA

rabiscos, escrevinhações, achismos e outras bobagens

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As modinhas que alimentam minha síndrome pós 40


Não sei se é uma síndrome pós 40, aquele sintoma de estranhamento acerca dos fenômenos, que acomete as pessoas com quatro décadas nas costas...


Talvez alguma desordem natural mundial pós pandemia...


Mas, a sensação é que estive em coma por alguns anos e despertei abruptamente em outra era, alheia as minhas experiências.


Ninguém me avisou, por exemplo, do surgimento da seita do café sem açúcar.


Quando surgiu, o que explica seu crescimento vertiginoso, quem é o fundador da doutrina?


De repente, não mais que de repente, eles estão por toda a parte, estampando sorrisos amarelos DE CAFÉ, mas corpos livres de sacarose.


Peito estufado, orgulhosos de si mesmo:


-Não tem quem me faça colocar açúcar em café- diz a jovem que aderiu ao movimento há duas semanas, após duas décadas injetando açúcar na veia misturado ao líquido sagrado preto.


Lembra daquele recém convertido ao evangelho, o amigo que “encontrou Jesus”??


Democrata que sou, no trabalho me rendi aos seguidores do “zero sugar” e fiz côro ao café sem açúcar.


Assim todos são contemplados.


Quem quiser a tradicional intoxicação recorre ao “adoçamento” individual.


De boa.


O problema é que, como em toda seita, a participação na crença/hábito vira quase um dogma de fé.


De repente, não mais que de repente, o hábito milenar de colocar açúcar no café deixou de ser cool. Agora Cult é café amargo.


Toca música de minha amiga Val aí...


Vejam bem, já fui censurado por fumar, mas ser alvo de olhares tortuosos por cometer o “crime comportamental” de colocar açúcar no café?!?!


Olha, não estou falando de adoçante, aspartame e aquelas derivações químicas insossas (argh) e cancerígenas (sai pra lá coisa ruim).


Nem disso eu gosto, sempre fui da teoria, por exemplo, que se é pra tomar Coca-Cola, aquele veneno engarrafado, eu vou logo me desgraçar de vez. Gastar “meus lifes” usando e abusando do prazer.


Voltando a seita do café sem açúcar...


Nem me venham contemporizar, há uma censura em formação.


O próximo passo é a perseguição aos hereges da doçura.


Curtam seu barato anti-sacarose, mas deixem os hábitos dos outros em paz.


Para completar minha tendência out no mundo moderno pós coma entrei em outra seita: a ACADEMIA.


Dentre centenas de marombeiros e marombeiras com trajes específicos, coloridos, tops e croppeds, tudo a base de poliamida e elastano, lá estou eu com minha camisa de eventos da rádio e minha coleção de roupas com caveiras.


Quando foi que proibiram camisa de propaganda e abadá nas Gyms, também??


Essa mesma "tribo" é a que substituiu nome de comida por composto orgânico e tabela nutricional.


Imagina chegar no restaurante e o cardápio só se referir aos pratos como proteínas, carboidratos etc e coisa e tal.


Já tem uma turma assim.


Se pudessem se alimentariam de cápsulas e pílulas...


Cadê o prazer de comer, meu povo? Comida é mais que nutriente, é deleite, é cultura.


Em tempo, ontem tomei dois copos de café sem açúcar. Em processo de catequização.

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