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BALANÇO DO DESEMPENHO E RESULTADO DOS CANDIDATOS A PRESIDENTE

Uma anticonvencional análise de desempenho de todos os 13 presidenciáveis (sim eram tantos assim). Uma inusitada avaliação do resultado, curiosidades, aberrações e todo festival de bizarrices, meiguices, troca de farpas, propostas toscas, singelos afagos e estratégias sorrateiras da corrida presidencial!!



Foto: Infográfico/Estadão


1) Jair Bolsonaro - Veio em uma crescente constante desde 20 dias antes da votação do primeiro turno e chega com ainda mais vigor no segundo turno. Impulsionado por aparente adesão da grande mídia (incluindo aí a Rede Globo), migração da bancada ruralista a sua candidatura e fechamento total do nicho evangélico com apoio explícito do Bispo Edir Macedo, inclusive com espaço exclusivo na Record! Demonstra muita pujança e teve resposta imediata dos seus eleitores as manifestações contrárias a ele que se espalharam pelo país no final de semana anterior ao pleito!! Como o fator do clima, euforia ainda pesa muito no cenário eleitoral brasileiro, a tendência seria de contagiar mais eleitores indecisos, ou pouco convictos, mas no caso do Bolsonaro existe sempre a questão da rejeição, também muito elevada. Até onde ela vai ser limítrofe, impedidora do crescimento e estabelecedora do teto do candidato??


De toda forma, segue favorito e contando com sua bem orquestrada rede de divulgação via redes sociais e, principalmente whatsapp (muitas vezes se valendo de recursos nada ortodoxos e questionáveis como robôs, fake News largamente usadas etc). O fato é que, a despeito do que se acreditava, conseguiu chegar a população de todos os extratos sociais, se comunicar diretamente com ela e ultrapassar, até aqui, a campanha sem ter a adesão popular abalada por suas próprias controvérsias exibidas em vídeos, falas agressivas etc. Mesmo com tanto controle da própria exposição, não conseguiu conter o fogo cruzado entre figurões da sua própria equipe. O vice, general Mourão, e o seu guru econômico, Paulo Guedes, a cada aparição na mídia revelam planos de governo que, dada a impopularidade, o candidato de “Deus, da família, pela pátria etc” tenta fazer um malabarismo para negar. Ainda assim, quase inabalável, segue dispensando recursos tradicionais de comunicação como debates e até a entrevista pós primeiro turno, que foi dada via redes sociais, sem confronto e perguntas de jornalistas.


O foco agora é o interior nordestino (maior resistência a seu nome) e para isso já lançou mão até de anunciar 13º para beneficiários do Bolsa Família, que tanto criticava outrora. Vale tudo!!


2) Fernando Haddad - A arrancada do petista parece ter vindo precipitadamente e a expectativa sobre continuação da subida e, até possível ultrapassagem de Bolsonaro, ainda no primeiro turno, foi frustrada rapidamente. Aparentou ter perdido o gás antes da hora, mas resistiu as profecias de derrocada já no primeiro turno e se manteve na disputa com a histórica força do reduto nordestino. Agora o jogo recomeça e a tendência é se oxigenar novamente, com reforço de grupos partidários ao lado da democracia, especialmente eleitores de Ciro Gomes. Vai focar a campanha na oposição extrema de candidaturas, situando a sua plataforma na defesa das instituições democráticas e a de Bolsonaro no fascismo, autoritarismo, explorando o caldeirão de valores em efervescência. “Nunca na história brasileira” um candidato adentrando o segundo turno com tamanha desvantagem conseguiu a virada, mas o petista (agora verde e amarelo) aposta na conquista de grande parcela dos 40 milhões de eleitores que não compareceram ou votaram nulo e branco no primeiro turno para tirar a diferença de 18 milhões de votos para Bolsonaro.


Neste sonho de conquista dos votos não declarados, finalmente a campanha do PT desceu do pedestal, compreendeu e reconheceu que (inflado por mídia, e alimentado por uma reação desproporcional, ou não) é fato que o sentimento antipetista se espraia pelo país. Assim, despiu-se até do vermelho e vai investir no discurso da defesa e preservação dos direitos de todos os democratas do Brasil.


Nesta briga de foice entre PT e Bolsonaro, tanto quanto a conquista do voto, as atenções estarão voltadas ao elevado índice de rejeição de ambos. Quem conseguir ser menos odiado pelo eleitorado, levará.


3) Ciro Gomes - Na reta final do primeiro turno teve uma semana decisiva de boom nas redes sociais através do movimento #ViraCiro e pela primeira vez a campanha do pedetista ocupou com mais contundência também as ruas. É um bom exemplo de que redes sociais ainda não são termômetro das ruas. Ciro foi segundo lugar em citações no Twitter, mas nunca de fato chegou a ameaçar o segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto de Haddad, o que se confirmou nas urnas. Na reta final o ritmo de adesões a candidatura de Ciro, inclusive com manifestação de artistas, foi intenso, mas muito longe de qualquer chance de levá-lo ao segundo turno. Apesar de confirmar o aguardado bom desempenho em debates, o preparo e experiência adquiridos e a apresentação clara de propostas, esbarrou na polarização da campanha em dois núcleos, Bolsonaro e o PT, o que inviabilizou a captação de novo eleitorado.


De toda forma foi registrado o melhor desempenho do pedetista em todas as vezes que concorreu a presidência da República. Neste segundo turno declarou o que o partido chamou de “apoio crítico” a Haddad, mas anunciou que não subirá em palanque (não quer mais engolir “com casca e tudo” os ditames do PT). Criticado pelos petistas pela posição de não se engajar em um momento chave da democracia brasileira, mas reconhecido como coerente pelos seus seguidores e até não simpáticos, visto que durante o primeiro turno acenava que não queria mais compor com o PT.


No geral sai muito fortalecido e com uma semente plantada: a conquista de eleitores eminentemente em parcela jovem e formadora de opinião. Deixa legado para disputas futuras, isso se abrir mão da promessa de se aposentar da vida pública, em caso de vitória do Bolsonaro “Aí dento”.


4) Geraldo Alckmin - Apenas confirmou a sua imagem de candidato sem carisma e força além das divisas paulistas. Mesmo com a maior máquina, melhor aparato, mais tempo de guia eleitoral etc em nenhum momento de toda a campanha ameaçou sequer tomar o terceiro lugar de Ciro, quem dirá postular disputa no segundo turno. Sai com a pior votação da história do PSDB, desde a redemocratização, o que só confirma como o partido diminuiu após este pleito de 2018. Traído pela sua própria cria, João Dória (favorito ao governo de São Paulo), praticamente sepultou a própria trajetória política.


5) Marina Silva - Como eu mesmo já havia alertado em análise anterior, teve seu pior desempenho nas disputas presidenciais. Demonstrou mais uma vez que não sabe o que fazer com o espólio eleitoral herdado de eleição anterior (passa 4 anos quase reclusa, sem angajemanto, envolvimento e reaparece na eleição). Se em 2014 alcançou impressionantes 20 milhões de votos, neste pleito a candidata teve percentual ínfimo (pouco mais de 1 milhão de votos), abaixo do folclórico Cabo Daciolo, com estrutura infinitamente menor, sem participação de entrevistas e apenas umas 10 cartolinas confeccionadas para a campanha (sic).


6) João Amoedo - Calculando em dividendos futuros, talvez seja, no custo benefício, o candidato com melhor índice nesta eleição (leva vantagem sobre o Cabo Daciolo pela perspectiva de capacidade futura com o legado conquistado). Investiu pouco, tinha menos de 5 segundos de guia eleitoral, não participou de debates ou entrevistas nas grandes emissoras e não dispunha de estrutura partidária, mas superou gigantes partidários como Marina Silva, o MDB, de Meireles, o jurássico político Álvaro Dias etc. Afinidades a parte, demonstra que seu conceito neoliberal, difundido em idéias simplórias sobre Estado Mínimo é sedutor a boa parte dos brasileiros. Com certeza, por esta percepção de que pode ir além, será figurinha carimbada em pleitos futuros.


7) Henrique Meireles - Despejou uma fortuna para terminar com votação quase tão inexpressiva quanto o Cabo Daciolo, que investiu menos do que se gasta para eleição de centro estudantil. Teve peças de campanha bem elaboradas, jargão atrativo “Chama o Meireles”, mas esbarrava na própria imagem. Desconhecido da grande massa, insistia em discursos sobre grandes feitos da economia, mas não conseguia apresentar onde estava a recuperação econômica que ele supostamente havia comandado no trágico e odiado governo Temer. Deve ter sido sua primeira e última incursão por disputa presidencial. Com quase 53 milhões de reais despejados no pleito teve o voto mais caro, média de 43 reais por cada número 15 digitado na urna.


8) Álvaro Dias - Na reta final da campanha se transformou em uma caricatura dele mesmo. Com participações pífias em debates teve até a credibilidade e seriedade de sua candidatura questionada. Insistindo no discurso agressivo, mas sempre envolto em tons jocosos, graciosos contra os governos petistas quase esqueceu de apresentar plataforma de governo. A representação da cota antiPT nesta eleição já era do Bolsonaro e ninguém tascava! Com esta estratégia, Álvaro Dias, que desde o início figurava junto ao pelotão de Meireles e Amoedo, foi rebaixado quase pareando com O PSOL.


9) Guilherme Boulos - Junto a Ciro, Amoêdo e, naturalmente, o eventual vencedor do segundo turno compõe o grupo dos que saíram fortalecidos da eleição. O jovem quadro do PSOL, de 36 anos, encarou com impavidez alguns dinossauros da política brasileira nos “confrontos” de debates e foi responsável por algumas das passagens mais brilhantes e emblemáticas, como a referência aos abusos da Ditadura. O baixo índice de votação se justifica no fato de ter esbarrado na polarização e a busca por voto útil, o que lhe tirou eventuais escolhas por convicção, que acabaram migrando para Haddad, ou até Ciro.


10) José Eymael - Este ano, diferente das outras 356 vezes que concorreu a presidência da República, nem o pegajoso jingle (Ê-Ê-Êymael...) salvou o Democrata Cristão do obscurantismo. Com o aparecimento de outras figuras folclóricas mais interessantes como o Cabo Daciolo, ninguém deu atenção aos “Sinais, fortes sinais”...


11) Cabo Daciolo - Assumiu com propriedade o posto de personalidade excêntrica desta eleição! Estando em jejum e oração nos montes ou carregando a bíblia aos debates virou “queridinho” quase geral, com algumas das passagens mais viralizadas do pleito (Glória a Deuxxxxx). Não poupou ninguém em seus ataques, da esquerda e seus planos conspiratórios para a criação da União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL), a direita com as controversas opiniões de Bolsonaro em relação a minorias. Gastou apenas 800 reais na campanha e alcançou mais de 1 milhão de votos, o equivalente a menos de 1 centavo investido por voto obtido, o que o torna, no cálculo direto e simples, o candidato com melhor custo benefício desta eleição.

12) Vera Lúcia- Veterano em disputas o PSTU é uma legenda parada no tempo. Anacrônico, o partido insiste em discursos radicais que não alcançam a população e nesta carregaram ainda mais na tinta, digo na pólvora, defendendo na carta programa e na fala da candidata Vera Lúcia o armamento de grupos civis. Na prática a formação de milícias sob a égide do Estado. E ainda estampa no slogan o brado “REBELIÃO”! Quase um Bolsonaro às avessas. Ou seja, em ambos extremos, na direita e esquerda, grandes símbolos das duas campanhas estavam baseados no belicismo!

13) João Goulart Filho - Aposto que 90% dos brasileiros sequer já viram o rosto do João Goulart Filho! Candidatura insignificante, refletida na menor votação dentre todos os postulantes a presidência. Ostenta o nome do pai João Goulart, deposto pelo Golpe Militar de 1964 (é golpe, viu senhor Dias Tófolli?), mas não tinha praticamente mais nada a apresentar fora a filiação...

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