O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

BOLA ROLANDO E VÍRUS SE ESPALHANDO!

Atualizado: 11 de Ago de 2020


Nos próximos meses o futebol pode se transformar em um dos principais vetores de propagação do coronavírus no Brasil!


Acha exagero a afirmação?? Vamos aos fatos...


Com as 4 séries (A, B, C e D- esta última começará no próximo mês de setembro) em plena operação teremos um total de 124 times circulando por todo o Brasil, através de todas as formas de transporte comerciais e serviços fretados.


Ou seja, se tomarmos por base uma média de 30 pessoas viajando por cada delegação dos times, mais “quadro móvel” da CBF, somadas a equipe de arbitragem, transmissão etc estamos certamente falando de 4.000 pessoas transitando uma, às vezes duas vezes condicionalmente toda semana pelo território nacional!!


Nenhuma atividade convencional tem este calendário fixo de exposição, trânsito intenso e obrigatoriedade de contato direto com terceiros vindos de realidades, ambientes e formas de cuidado distintos...


Ah, mas alguns podem argumentar que existem protocolos sanitários rígidos sendo executados... Quais seriam essas medidas rigorosas??


Como A CBF, organizadora de todas as competições citadas conseguirá “patrulhar” a rotina desses clubes, a maioria pequenas agremiações de cidades remotas, com condições de treino e estrutura precárias, que não conseguem sequer exigir dos seus atletas controle absoluto nas próprias rotinas (muitos jogadores exercem até outras atividades)...


Vejamos os exemplos estarrecedores que surgiram já na primeira rodada em todas as séries em atividade no Brasil:


Pela primeira divisão o São Paulo estava dentro de campo quando foi notificado sobre a não realização da partida contra o Goiás, que comprovou, em contraprova, a infecção de nada menos que 9 atletas. Muito além do transtorno de planejamento causado ao tricolor paulista (que fretou vôo, se hospedou em Goiânia e foi a campo...), a alta incidência no time goiano, revelada em cima da hora, já demonstra a falta de condição estrutural do Brasil para alimentar esta rotina, mesmo no mais rico cenário do futebol brasileiro!! O esmeraldino de Goiás revelou que os testes foram feitos na sexta, mas só liberados dois dias depois, no domingo de jogo! Mais que isso, o episódio expõe outro drama: mesmo que dispusesse de elenco maior e conseguisse colocar outros atletas em campo, qual a garantia de segurança aos rivais são paulinos em entrar em uma partida contra adversários que treinaram, dividiram dependências e tudo o mais com pessoas infectadas??


Dá para entender a dimensão do perigo?? Na série B, por exemplo, o CSA entrou em campo contra o Guarani, mesmo após ter 9 jogadores testando positivo para Covid 19...


Mas calma... o caso mais emblemático do risco social que representa a volta do futebol brasileiro, vem de baixo, dos “porões da bola”, afinal quem mais pode melhor traduzir a realidade da maioria dos clubes e de 90% dos jogadores do país??


O Imperatriz iria estrear contra o Treze, em Campina Grande. Saiu do interior maranhense para São Luís de ônibus, de lá pegou um vôo comercial com escala em Belém, até Recife. Da capital pernambucana seguiram de ônibus até Campina... Apenas durante essa volta ao mundo, já desembarcando em solo paraibano, a delegação maranhense foi informada que dos 19 atletas na viagem, nada menos que 12 testaram positivo!


12 atletas infectados de uma comitiva que, em intervalo de 24 horas, esteve em nada menos que 5 cidades, de 4 estados diferentes, em locais de grande circulação de pessoas também provenientes de variadas localidades...


No protocolo da CBF onde está disposto o modelo para evitar este tipo de situação de risco?? Aliás, no quadro atual nacional é possível estabelecer alguma margem de garantia??? Nenhuma das principais ligas quando retornaram registraram algo parecido com tantos casos de infecção!


Uma das auras em torno do esporte mais popular do mundo diz que o “Futebol é muita mais que um jogo”! Está na hora de aplicar essa máxima contribuindo para ampliar o debate social, auxiliar na conscientização e dar exemplo, promovendo um retorno com base na segurança dos envolvidos, priorizando a preservação de vidas dos “agentes da bola” e, claro, da sociedade em geral!

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