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  • marcosthomazm

Bolsonaro e Lula não mereceram bônus de “luta da noite”


UFC, o mais tradicional evento de lutas do mundo, atualmente, tem três rounds, quando se trata de uma luta comum.


Três "rounds", camuflados de blocos, esse foi o formato do primeiro debate do segundo turno entre Lula e Bolsonaro, transmitido ontem por um pool de emissoras e grupos de comunicação (Band, Uol, TV Cultura e Folha de São Paulo).


Ao contrário da expectativa e anúncio inicial do texto, o debate teve clima menos agressivo, intenso do que o previsto.


Nenhum nocaute, algumas tentativas de golpes diretos, mas muita guarda alta, postura defensiva de ambos.


Um Bolsonaro tentando transparecer mais equilíbrio e até cordialidade com o oponente ("seu Lula") foi ouvido algumas vezes, uma busca por aproximação (“fica aqui, por favor”), manter o adversário próximo ao raio de ação, até com um leve toque no ombro, ilegal as regras, vale dizer.


Lula, incorporando um Muhammad Ali, mais solto no “tablado”, movimentando-se com desenvoltura, utilizando-se de deboche para desestabilizar o oponente quando este tentava atingi-lo com “golpes falsos” (fake news).


No primeiro round Lula até aparentou ter o controle absoluto do duelo atacando em pontos fracos e com golpes certeiros na primeira oportunidade de confronto direto.


Primeiro um golpe vigoroso no fígado ao falar de educação e deixar Bolsonaro sem poder de reação quando questionado sobre investimentos em universidades e escolas técnicas.


Atingiu o plexo do presidente ao falar da negligência da pandemia e deixou Bolsonaro com falta de ar, indifarçavelmente se entregando em crise de tosse.


Na sequência, em um revide após tentativa de golpe falho de Bolsonaro, Lula quase consegue um knock down.


Contra-golpeou o ataque de Bolsonaro a uma suposta relação do ex-presidente com o crime organizado devido a visita de Lula ao Complexo do Alemão.


Lula reagiu valorizando o morador das periferias, o pobre trabalhador e, em um direto no queixo, disse que muito bandido mora em área nobre, citando inclusive o vizinho do presidente acusado de participar do assassinato de Mariele.


Bolsonaro balançou, mas não caiu.


No segundo round recuperou o fôlego e equilibrou a “luta”.


Na verdade, o bloco intermediário foi o mais morno de todos, empate técnico no voto do júri.


Sem confronto direto e muita intervenção externa houve pouca contundência nas “entradas” de ambos.


Já o terceiro e derradeiro round fez Bolsonaro “correr contra o prejuízo” para tentar o nocaute e tirar a vantagem de Lula por conta do primeiro bloco.


Assim, o terceiro foi o mais alternado em vantagem para cada lado.


Mas Bolsonaro dominou a maior parte das ações e teve leve vantagem geral neste round.


Iinfluenciou o movimento de Lula, tirou o “gás” do petista com golpes no ponto nevrálgico em que Lula não conseguiu se esquivar: Petrobrás, corrupção...


Acuado, Lula foi “as cordas” diversas vezes, tomou água, tentava o clinch interrompendo a “artilharia verbal” de Bolsonaro.


Além do ataque certeiro, Bolsonaro partiu para os conhecidos golpes baixos, recorrendo a números e informações falsas sobre desmatamento, transposição entre outros.


O atual presidente também controlou melhor o cansaço, guardando tempo para atacar em frente isolada com quase seis minutos de “porradaria” direta.


Lula reagiu e retomou o gás apenas quando contra-atacou no final do embate, em um direito de resposta que usou para expor as fragilidades do oponente também quanto a corrupção citando rachadinhas, escândalos pessoais e do governo.


Em decisão dividida, os juízes decidiram por vitória de Lula por pontos devido a vantagem adquirida no primeiro round, digo bloco.


Ambos não receberam a bolsa de “luta da noite”, nem qualquer bônus secundário pelo embate frio, pouco dinâmico, sem grande repertório. Ps: obviamente, o texto não tem qualquer intenção de inflamar o já incendiário cenário político nacional. A utilização de metáfora com uma tradicional luta de MMA é apenas oportunismo retórico barato do pobre e não criativo escriba. Mas, aproveitando o ensejo e mandando um recado aos valentões de plantão: "arena de luta é ringue mesmo, com regras e normas definidas". Tudo o que precisamos é vencer o ódio espalhado por ruas, becos e vielas deste país.

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