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O BURACO DA FECHADURA

rabiscos, escrevinhações, achismos e outras bobagens

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DEPENDÊNCIA NA MEIA IDADE

Atualizado: 4 de jan.


Faz menos de um ano que uso.


E preciso confessar, publicamente: já virei dependente.


Consumo desde o raiar do dia, ao fechar de pestanas.


Carrego a tiracolo a todo lado.


A crise de abstinência causa irritação, desespero, uma cegueira instantânea.


O detalhe é que nunca havia usado na vida, logo jamais sentira necessidade.


Hoje é uma fissura, extrema dependência.


Em alguns meses meu corpo já viciou, se condicionou.


Após sofrer por quase dois anos fui procurar ajuda médica para sanar o problema.


No primeiro exame o diagnóstico absoluto e e doutora me receitou a droga para uso imediato e ininterrupto.


Desde aquele momento compreendi que jamais abriria mão.


Uso óculos para “vista cansada”, um eufemismo para problema de visão de gente com idade.


Meia idade, ok.


Sim uma das quase inevitáveis e generalistas síndromes pós 40 anos.


Não consigo mais ler com clareza um palmo a frente, sem os óculos.


E, se antes esse era o único problema, que me fez inclusive recorrer a ajuda médica, agora até atividades corriqueiras, qualquer movimento gera um embaçamento sem o equipamento.


Portanto, os óculos se transformaram em um companheiro inseparável, uma literal extensão do corpo.


Parceiro de todas as horas, logo inclui-se aí, por exemplo, a academia.


Foi lá, neste ambiente, que vivi a pior experiência visual dos últimos tempos.


Uma visão das trevas!


Estava malhando, descansando, olhando o chão, quando aparecem letras embaralhadas em um tênis vizinho ao banco que estou.


Estava um pouco distante, os óculos embaçados pelo esforço e torto pelo headphone pressionando.


As letras formavam uma composição estranha.


Aquele alarme cerebral indicava uma experiência desagradável.


Uma espécie de código para despertar nossos sentidos de repulsa.


Típico de quando você enxerga algo asqueroso.


Nossos sensores corporais, emocionais, ou racionais, são indefectíveis (aprendi esta palavra naquela música do Skank “berirau, barau, berê...” e nunca mais esqueci).


Limpo a vista e tá lá: B-O-L-S-O-N-A-R-O.


Um tênis com aquele lugar destinado a marca, logo de fabricante, sendo ocupado prelo nome do dito cujo.


Tudo rodeado por cores verdes em destaque preenchendo o cinza geral.


Cada um com suas drogas, né??


Inevitável pensar que nível de desordem mental leva um ser humaninho a isso!?!?


Veneração assim a político já é demais, a Bolsonaro, então?


Não consigo disfarçar e me pego em sinais claros de desaprovação com a cabeça.


Aparentemente, o bombado percebe a censura e fica incomodado.


Um constrangimento merecido.


Mas, para poupar a minha carótida castigada por esta humanidade e evitar um atrito com o fortão, desvio o olhar do tênis maldito.


-É melhor ler isso a ser cego- grita meu alter ego.


É, mas bem que deveria ter uma mágica que nos fizesse desver coisas indesejadas.


SHA-ZAM!



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