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O BURACO DA FECHADURA

rabiscos, escrevinhações, achismos e outras bobagens

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Diário de Bordo (Parte 1)


Aquela esticada marota rumo a Bahia de carro.


Cinco estados, quase uma centena de cidades, cidadelas, lugarejos, povoados, casas no meio do nada.


Mil e trezentos quilômetros cravados!


Esquema "farofão", representado pelo suprimento, que, literalmente, não poderia faltar.


Na verdade, a lotação máxima exigiu uma operação industrial de mantimentos. Comida para batalhão (de perecíveis a conservantes).


Pé na estrada...


Nunca se escapa ao tradicional “freio de mão” puxado para atravessar a Grande Recife.


Transitar por ali é sempre carregar algumas cruzes.


Na sequência um limbo alagoano...


Aquele trecho rodoviário da depressão.


Um total de zero assistência aos viajantes.


Quilômetros a fio sem posto de combustível, um deserto habitacional e de serviços às margens da principal rodovia do país.


Obra de duplicação emperrada há mais de década. Um retrato do descaso e desbunde nacional.


E eu, brasileiro que sou, insisto em crer que a cada nova viagem estará tudo em seu devido lugar “nas Alagoas”.


Pista única, mão dupla, desvio à esquerda, à direita, no meio, placas tortas, zero sinalização, cratera, caminhão no buraco.


O estado símbolo das grandes oligarquias, da força de representação política nacional, de Lessa a Lira, passando por Collor e Calheiros não consegue concluir uma obra de duplicação rodoviária.


Alto lá, a força política das Alagoas começa lá com o Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente desta Republiqueta de Bananas.


Mas a BR-101 por lá continua caótica!?!?


Há um ocaso às margens da 101 em solo alagoano. A sereia local parece estar reservada apenas àquele litoral suntuoso, talvez o mais belo do mais belo Nordeste.


Dormida decente por ali, nem pensar.


Lembro do “pulgueiro” em que nos metemos por bandas alagoanas outra vez para nunca mais...

Mas, desta feita, escolhemos o outro lado da ponte para descansar.


E foi na “cabeceira da ponte” mesmo, na beira da pista, “defronte”- como teria falado minha vozinha, filha de sergipano com índia - ao antes imponente “Hotel Velho Chico”, hoje abandonado, decrépito.


Nossa hospedaria estradeira reservava surpresas tipo uma mini academia, piscina e sinuca que rendeu treino inusitado e jogatina regada a lúpulo pra relaxar.


Propriá na parte sergipana e Penedo na alagoana, margeiam o Velho Chico, que divide os dois estados, exatamente em seu curso.


Assim como faz com Bahia e Pernambuco etc.



Um tal Rio São Francisco, esta serpente aquática de dimensão “anacôndica”.


Depois do repouso hora de seguir viagem no segundo dia.


O dito popular informa que “depois da tempestade vem a bonança”...


Eu, que não creio em máximas, encontrei logo um temporal em Sergipe. Céu literalmente desabando. Nos livramos da tormenta estrutural alagoana e entramos no “olho do furacão” climático sergipano.


Quase 200 km sob aquela tempestade e viagem arrastada.


Mas no posto, para o primeiro abastecimento da jornada, toca Edson Gomes.


Inevitável sentir-se mais próximo de casa.


Tom também nota o acorde regueiro baiano e entreolhares anunciamos mutuamente que estamos a beira de casa.


“Lili, Dona Lili...”


Falando em música o playlist aleatório é uma atração a parte na epopéia.


Um random constante de Bezerra da Silva a Lady Gaga, sem falar nos podcasts...


Sergipe sempre me trouxe vínculos, memórias afetivas extremas. Essa potência ancestral do lado materno e paternos, a linha de descendência dos migrantes que povoaram a região Sul da Bahia nas plantações de cacau e derivações.


É DNA, gene dominante da "civilizacao Grapiúna", como batizou o conterrâneo Jorge Amado.


Todos somos um pouco sergipanos, aqui nestas bandas.


O segundo sinal dos céus anunciando “Terra à vista” não foram as harpas de Jah, mas o cheiro de terra úmida, molhada, característico deste naco de terra Bahia.


E quem captura este momento é a minha paraibana.


Ninguém escapa a este aroma do meu solo-mãe.


Estamos na Bahia, senhoras e senhores.


Rebuliço na “caçamba da condução”.


Maria e Benjamim, mais novatos na jornada PB-BA, renovam esperança de chegada próxima.


“Agora vai”


Doce ilusão.


Calma, juventude, pisar na Bahia nos acena apenas que temos mais 500 quilômetros estado adentro até Tabocas.


Logo cai a noite e o restante da viagem será sob breu, em volta de curvas, cruzando e ultrapassando caminhões, manobrando mais curvas, reconhecendo cidades paradas no tempo, outras com meros detalhes modernizantes.


Esplanada, Entre Rios, Santo Antônio de Jesus...


Valença anuncia a “Costa do Dendê”, último trecho do litoral antes da minha costa cacaueira. Lá também é acesso ao cobiçado Morro de São Paulo.


Fica para a próxima...


Wenceslau Guimarães, Governador Mangabeira, Gandu, Travessão, Ubaiataba...


Passando pela entrada de Itajuípe, já me sinto em casa.


Acesso Itabuna pelo Viaduto do ex-marajá Fernando Gomes, um ex-prefeito que construiu o equipamento para chegar à sua mansão.


Pouco importa o caminho.


Chegamos em casa, sim em casa, afinal filhos sempre tem na casa dos seus pais as suas noções de lar, abrigo.


Dentre varandas parcamente iluminadas, uma tem um brilho especial.


De lá reluz um feixe luminoso incandescente.


É alegria de pai, mãe e vó iluminando as estrelas.


É bom estar em casa.

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