O BURACO DA FECHADURA

rabiscos, escrevinhações, achismos e outras bobagens

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  • marcosthomazm

EU, NO CENTRO DO UNIVERSO


Praguejo a chuva. Exijo sol porque quero ir à praia.


Mas suplico a chuva apenas para uma sinfonia aos ouvidos durante um domingo preguiçoso de casa e cinema.


Quero o tempo e a temperatura a meu bel prazer.


Interfiro nos astros, mudo latitude e longitude, alterno hemisférios.


Céu azul para o futebol.


Sol a pino para o churrasco, piscina e cerveja.


E chuva, enxurrada para lavar a alma naqueles dias de bad... trip, ou estática!


Espero o frio, deixo o vento gélido invernal chegar apenas para derreter minutos a fio sob a água escaldante do chuveiro.


"Tempero" o clima a gosto.


Combato o calor abafante com ar condicionado no talo, quando nem “ventilador no 3” dá mais conta. Tudo para poder me cobrir com a manta sertaneja que me enrosca a pele, atiça os pêlos, libera os poros.


Troco o dia pela noite. Faço o fuso horário que me convém.


Embaralho AM e PM, giro o relógio ao contrário, deixo o cuco afônico.


Sonho acordado, tenho revelações em sono profundo.


Elucido na escuridão, ofusco na alvorada.


Imponho ao Universo uma bipolaridade temporal.


Só não consigo voltar no tempo. O que já foi permanece sendo, mesmo soterrado.


As ruínas sempre esperam a seca para voltar à superfície e revelar sua face.


Destroços de outrora.


Cascadura me avisa, que “O Tempo pode virar”.


Ligo as turbinas, abro a vazante, libero as comportas, submerjo o passado.


Acelero o tempo, retorno ao presente, prevejo o futuro.


Falso Senhor das horas!


O cantador profetiza lá do Cariri; “Se avexe não, que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada”.


Acordo do devaneio megalomaníaco.


Uma voz suave me retira do surto egocêntrico.


Em um sobressalto sobre assuntos banais Ben me diz: “Porque o mundo não é só seu. Ele é de todo mundo”.


Sua forma inocente de alertar-me que, “nem este, nem outro mundo gira ao meu redor”.


Distopia insone, simulações baseadas em mim, mas bem que poderia ser o seu alter ego. Não disfarce, confesse ao tempo, Gil já avisou que ele é Rei!


Melhor retroagir, entregar-se ao acaso temporal.


O relógio do mundo não dá corda, troca pilha, ou brilha em LED.


Tic-Tac contínuo, ritmo constante, a hora exata, o compasso marcado, observador dos seus passos.


Sempre preciso, inalterável, inexorável, te conduzindo ao insondável.


“E no balanço das horas tudo pode mudar”.

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