O BURACO DA FECHADURA

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Lições do Outubro Rosa,a infelicidade do machismo boleiro e a constante luta das mulheres por espaço


Apesar de tentarem turvar nossa visão, de quererem nebular nosso horizonte, o Outubro ainda é Rosa, aliás ele é multicolor, tal qual a alma feminina!


O Outubro nasceu rosa para alertar sobre importância da prevenção ao Câncer de Mama, mas ele se coloriu de muitas outras texturas da natureza da mulher daí esse excesso de tonalidades no horizonte...


Na pauta da hora, além da saúde feminina, empoderamento, emancipação, liberdade, igualdade e todas as bandeiras de luta historicamente abafadas...


Pois muito bem, digo pois muito, muito mal... Nesse mesmo simbólico mês de outubro desse ano que não existiu, o futebol, logo ele, esse microcosmo em simulação real do nosso mundo Terra veio para exponenciar essas feridas históricas sociais.


E, justamente, paradoxalmente, em meio aos mil tons de celebração e conscientização da mulher, Robinho veio ao Brasil tentar fugir de uma iminente condenação definitiva por estupro na Itália. Aqui, na terra natal, escaparia da extradição. Local escolhido? Santos, sede e nome do clube onde foi formado e é ídolo.


Após o anúncio da contratação, pressão popular, fuga de patrocinadores, recuo, revelações bombásticas de conversas de Robinho e amigos sobre o episódio (viva o bom jornalismo), o atleta resolveu mediocrizar ainda mais a sua imagem.


Em declaração após a reação pública, Robinho condenou o feminismo. Típico de quem entende a mulher como ser inferior. Deve ter sido por isso que se alinhou a Bolsonaro, a quem mencionou publicamente em sua fala: “Bolsonaro está certo.”. Aquele presidente, o mesmo que já insinuou, a depender da beleza haver mulheres “dignas” de serem estupradas...


O problema é que o “caso Robinho” fez retornar a superfície outro escândalo da bola tupiniquim.


O técnico do mesmo Santos, Cuca, quando jovem jogador do Grêmio, na década de 80, foi condenado com outros três atletas (Henrique, Fernando e Eduardo) pelo estupro de uma menor de 13 anos de idade durante excursão do time gaúcho a Suíça.


Após 28 dias presos no país europeu (cumpriram o resto da condenação em liberdade) foram recebidos como heróis pela torcida gremista. A mãe do zagueiro Henrique soltou, em rede nacional, o célebre pensamento de culpabilizar a vítima, infelizmente ainda corriqueiro aqui e alhures “o que uma menina foi fazer no quarto de time de futebol?? Essa garota não tem pais?? Para mim, a culpa é mais dela do que deles!”


Nem adianta se espantar, esse recurso de relativizar o crime, ou brutalidade dessa natureza permanece latente aqui na província.


Bem mais além (como diz o amigo), pior que a torpe defesa familiar foi a atuação de boa parte da imprensa gaúcha. A narrativa oficial era sob o tom de injustiçados. O jornal Correio do Povo apelou até para um infame teste de escolha múltipla: “Pense e responda: a)-uma garota que está sendo estuprada, não grita? b)- Se grita ninguém ouviu, mesmo estando em um hotel? c) Havendo violência, a vítima não reage, a ponto de ferir-se??


Surreal, mas isso existiu...


A despeito ainda da preponderância destes episódios que mancham o esporte mais popular do Brasil, o futebol segue imitando a vida, ou vice-versa, e nos traz exemplos bons de resistência e batalha pela mudança do cenário (perder a ternura e fé, jamais).


Vem das mulheres algum sopro de renovação na atividade no país. Dos campos às cabines gostaria de citar 3 exemplos exitosos para ilustrar isso.


A comentarista de arbitragem, Nadine Bastos, é a melhor do ramo desde que acompanho futebol (e olha que o faço há 3 décadas com voracidade). Para quem cresceu com o carreirismo de Arnaldo César Coelho e sua “a regra é clara”, um jargão que queria dizer tudo para absolutamente nada, a lucidez, clareza de argumentos e simplicidade de Nadine em interpretar os lances é didática.


A Renata Mendonça, comentarista também é outra grata surpresa. Bem informada, sem vícios, ou arroubos de fórmula mágica, tem leituras abrangentes sobre o jogo em campo e todo o universo gestor do futebol nacional.


No campo, a tarefa mais árdua de enfrentar o machismo boleiro, cabe a Edina Alves, primeira árbitra a apitar um jogo masculino da Série A do Brasileirão em 14 anos. Firme, com boa aplicação das regras, já tem no currículo grandes arbitragens e se credencia entre melhores do Brasil entre representantes dos dois sexos.


Podemos ainda assim pensar que, no protagonismo do campo, com a bola rolando, termos pouco, ou quase nada a comemorar quanto ao futebol feminino brasileiro. Aqui mesmo, na Paraíba, sequer se tem notícia sobre a realização do campeonato feminino ainda de 2020, mesmo com o ano já acabando.


Enquanto isso, as atletas seguem treinando e guerreando por seu espaço neste e em outros campos...

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