O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

O "Evangequistão" do decoro fajuto de quem prega Deus e age como o capiroto

Atualizado: há 5 dias


Adianto logo que não tenho a menor intenção em condenar o Cristianismo à fogueira...


Não tenho espírito de inquisidor, não tenho instinto algoz, sequer esta presunção nietzschiana!!


Não intento replicar o que as “orientações” cristãs fizeram e fazem historicamente no mundo ocidental e do lado de lá do hemisfério, quando oportuno, também.


“Eu sou apenas um rapaz, latino americano...” sujeito a régua de valores do Cristianismo hegemônico, empurrado goela abaixo e oficializado, institucionalizado, mesmo que as letras da Lei falem de Estado Laico.


E olha que tenho formação cristã, cresci neste meio. Imagina para quem tem como base outras identidades de fé se ver condicionado, imperiosamente, a valores externos ao que crê?!?


Como diz o Buarque: “Deus é um cara gozador, adora brincadeira, pois pra mim jogar no mundo tinha o mundo inteiro, mas achou muito engraçado me botar cabreiro... nasci brasileiro!”


Para pôr as coisas no seu devido lugar, ou não, obviamente, quando falo de Cristianismo, não estou generalizando, menos ainda me referindo a crença, elemento de fé individual, mas sim a apropriação desta por denominações, que a embalam em rótulos de dogmas e doutrinas controversos, pra dizer o mínimo!


Também não quero incorrer no reducionismo, maniqueísmo simplório de bom e mal, anjos e demônios tão comuns, exatamente, a teologia cristã. Longe disso, tampouco tenciono demonizar o cristianismo, nem mesmo as denominações religiosas, pois, apesar de toda crítica aqui mesmo, reconheço obviamente sua relevância social, amparo a pessoas etc e tal. O foco aqui é a decantada moral superior, ética cristã, imposição de valores além muros dos templos.


E mais, poderiam aplicar a moral que quisessem, desde que estas se ativessem as suas próprias vidas, mas é exatamente aí que reside o problema geral da imensa maioria destas ditas religiões cristãs por aí afora...


A tal “América Católica”, agora com tons reluzentes de evangequistão, não se contenta em mandar nos seus próprios rebanhos e expande a sua falsa moral como um guarda-chuva social geral.


É meu amigo Fábio Cascadura, criaram um “Deus de Medo e castigo, que castra, que pune e mata”.


É dessa herança que vem a hipocrisia de costumes, decoro fajuto ocidental.


Ética coletiva baseada na fachada. Não importa o que vivem e sim o que aparentam.


Essa vitrine de ilusões que financia a existência, por exemplo, do Pastor Efraim Soares de Moura, aquele integrante de quadrilha que roubava contas de terceiros, forjando títulos de herdeiros. Um destes autodenominados ungido de Deus, que dedicava seis dias da semana a roubar vítimas impotentes e guardava o sétimo dia para pregar princípios ao “Povo de Deus”.


Poderia falar dos padres pedófilos, durante séculos blindados pelo próprio Vaticano, afinal vale mais a imagem intocável da Santa Igreja Católica do que a verdade e proteção das crianças.


Talvez citar a pastora-política-suingueira-mortífera, Flor de Lis...


Há uns que vendem até feijão contra Covid.


Tem até canalha João, que não bastasse se arvorar porta-voz do Todo Poderoso, se apropriou até do Nome de Deus.


Em um mundo analítico sensato, nem precisaria dizer o óbvio/razoável de que estes falsos “enviados de Deus” não representam a regra. Há, talvez até em sua maioria, bem intencionados e autênticos homens de fé pastores, padres e fiéis. Conheço alguns, que amo e admiro. Poderia citar todos estes “bem aventurados” em nome de Pedro Cordeiro, grande homem e amigo.


Mas, fato é que a liturgia geral, comum do Cristianismo institucionalizado favorece, retroalimenta os aproveitadores (líderes religiosos, ou não) e a predominância desta inversão de valores.


Enfim, exemplos aqui ao lado não faltam para escancarar a farsa desse povo de “Deus, Pátria e Família”, mas vou subir as montanhas colombianas para ilustrar com um caso pitoresco dessa falsa moral ocidental.


Década de 70, o América de Cali, tradicional clube colombiano, não conseguia ganhar um título nacional. Atribuiu-se a má sorte ao mascote do clube, um Diabo Vermelho.


Eis que no primeiro ano sem o emblema maldito, Los Diablos Rojos vencem pela primeira vez o campeonato colombiano.


Pronto, logo cresceram profetas utilizando o episódio como prova da ação divina.


Apenas um detalhe, anos antes o América de Cali havia começado a receber injeção pesada de dinheiro do narcotráfico.


Obviamente, desta turbinação ilegal do Cartel de Cali é que residiu o êxito em campo do time.


Mas no imaginário comum insistia-se em fazer associação apenas ao inofensivo diabinho com tridente personalizado que estampava o escudo do América.


Diabo não pode, mas dinheiro do sanguinário crime organizado colombiano pode.


Viva a moral cristã!


Bem, os torcedores se mobilizaram e conseguiram devolver o “capiroto” ao símbolo do time!


Anos depois o Cartel de Cali ruiu.


E o América segue firme e forte, ainda "endiabrado" e livre do narcotráfico. Para desespero dos fiéis...



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