O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

O futebol brasileiro é um refém do passado!


"Estão deixando a gente sonhar".


O jargão, que saiu dos campos de futebol para representar qualquer esperança de mudança, sinal de novos tempos na vida, foi desmontado pelo próprio esporte nacional neste final de semana.


O esporte, que é bretão apenas por acidente histórico, mas o mais brasileiro de todos, "jogou água no chopp" dos amantes da bola rolando.


Todos que celebravam alguma transformação , quase revolução estrutural se depararam com um "revival" de lamentáveis episódios históricos na boleiragem brasileira.


Primeiro, o fantasma do tapetão no sábado: partida entre GoiásxCorinthians adiada em cima da hora por decisão judicial.


Como disse um dirigente é coisa de várzea. Respeito a várzea, por favor.


Até porque, neste sopro de novo tempo...


O mesmo futebol brasileiro registrou índices de média de público históricos em 2022, com quase dezenas de estádios lotados a cada três dias, rodada a rodada, de qualquer divisão.


Até as séries C e D, as divisões que são várzea pra muita gente “dazelite”, colocando com 20, 30 mil pessoas em alguns jogos.


Um modelo de calendário nas séries A e B, que se aproxima de quase 20 anos sob o mesmo formato (uma eternidade para o padrão desordenado, não linear de outrora no futebol brasileiro).


Voltando as tragédias dos últimos dias...


No domingo o deja vu adquiriu contornos ainda mais semelhantes com o passado sombrio: partidas interrompidas antes do tempo regulamentar por invasão de torcedores.


Começando pelo fim, vamos aos jogos que não acabaram...


O detalhe que une ambos é o fato de terem sido ocorrências causadas por uma única torcida, isoladamente.


Uma pausa para um recadinho importante:


Alô, Ministério Público, vê se aprende com os fatos e percebe que radicalismo de restrição de torcidas rivais é apenas paliativo para não encarar o problema de frente.


O grande câncer da violência no futebol continua sendo impunidade, leniência com bandidos travestidos de torcedores.


Quem vai proibir aquele covarde que chutou, fortuitamente, no chão, a Bombeira Civil na Ilha do Retiro??


Quem vai identificar e submeter à lei as dezenas de marginais que invadiram o campo do Sport para bater em qualquer um, apenas porque o adversário comemorou um gol de empate contra eles em provocação??


Ferir meu brio de torcedor concede um direito legítimo de matar e morrer, né?


Deve estar na lei da selva.


No Ceará, em jogo, eminentemente de uma só torcida, a galera do vozão resolveu sair no tapa entre si, causando pânico entre mulheres, crianças e homens, que não são os valentões de ocasião.


Logo o Estádio Castelão, palco da Copa do Mundo em 2014, se tornou refúgio para abrigar os assustados torcedores, além de uns infiltrados, que não satisfeitos em espalhar terror nas arquibancadas, desceram ao gramado para agredir os jogadores do próprio time.


E já surgem os não adeptos, raivosos com o futebol, desinteressados, oportunistas, ou analistas de tudo e nada reduzindo os problemas evidenciados ao campo de jogo.


Como há décadas se replica: “o futebol é apenas um reflexo da sociedade”.


A violência, intolerância, barbárie está nas ruas, no tecido social.


Elementos nefastos que não deixariam de compor também o cenário do esporte mais popular do país.


Que estes sejam apenas o estertor de um tempo que será asfixiado em definitivo.


Que a gente possa voltar a sonhar com tempos de paz, dias mais solares, longe do obscurantismo da ignorância e violência.

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