O BURACO DA FECHADURA

rabiscos, escrevinhações, achismos e outras bobagens

Buscar
  • marcosthomazm

POR TRÁS DO MURO, A VERDADE...


Esta semana alguns blogs paraibanos veicularam a notícia sobre a reforma do muro da Rádio Tabajara! Orquestradamente o tom das notas era uníssono: o valor de 218 mil reais aplicados. Também, de maneira coordenada (aquele conhecido texto padrão) ninguém apresentava detalhes da obra, tipo extensão do muro, características da intervenção, ou questionava critérios técnicos para justificar o espanto, ou o destaque negativo que tentavam imprimir: “Muro da Vergonha” e todos este recursos retóricos duvidosos, espetaculosos e sem consubstância que, infelizmente, se tornou praxe aqui na Paraíba e no Brasil.


Bom, este trabalho pouco zeloso, ou nada responsável de alguns colegas, lamentavelmente não é novidade, mas a polêmica foi “encorpada” quando o deputado federal, Pedro Cunha Lima, gravou vídeo replicando as “queixas vazias”, sem objeto definido.


No depoimento, o parlamentar questiona o valor destinado a “um simples muro de rádio, em pleno período de pandemia”, nas palavras do próprio...



Já que em nenhum momento o incauto deputado e nobres colegas de imprensa buscaram as informações detalhadas junto a Empresa Paraibana de Comunicação, faço questão de apresentar voluntariamente: o referido muro tem, por exemplo, 420 metros de extensão, com necessários e urgentes serviços de reforma e restauração em quase 300 metros, incluindo fundação e soluções complexas de engenharia cabíveis a um terreno íngreme desta natureza.



Mais que isso e, principalmente, a estrutura atual, comprometida por queda parcial há quase uma década, ameaça a vida e propriedade de mais de uma dezenas de famílias e uma Unidade de Saúde da Família (USF), que existem na vizinha comunidade São Rafael, no entorno da propriedade da rádio.


Estaria o Deputado Pedro Cunha Lima minimizando a importância destas pessoas?? Mais que isso, legitimando que uma empresa pública seja negligente com vidas humanas??


Ainda no seu vídeo, oportunisticamente, o deputado federal Pedro Cunha Lima, vai além e aproveita para repetir o famigerado discurso contra a existência da comunicação pública, se valendo, nas palavras do próprio, de conceitos modernos ao que chama de “choque liberal”.

Como profissional de comunicação eu poderia apenas me arvorar em práticas básicas da atividade de imprensa para justificar ao parlamentar a relevância de veículos públicos em causas essenciais como: a propagação de valores sociais como a diversidade, voz das minorias, difusão cultural, olhar e valorização às tradições locais etc.


Ou talvez coubesse apenas fazer o representante paraibano em Brasília conhecer a relevância dos veículos A União e Rádio Tabajara, “testemunhas oculares” da história local e patrimônio de todos os paraibanos.


Mas, como gosto da informação precisa, vou além... devo lembrar ao “liberal brasileiro” os países que, quando em conveniência eles adoram citar como referência, e tem a comunicação pública oficial como fundamental vetor de desenvolvimento nacional. Afinal o que dizer da inglesa BBC, maior emissora do mundo e, pertencente ao governo britânico?? No Japão, Alemanha, Austrália, Suécia, Finlândia etc, se investe, aposta neste modelo como braço fundamental dos valores nacionais.


Porque não canalizar tamanha energia despendida para minar a fundamental comunicação pública em algo realmente prioritário, como a democratização da comunicação no Brasil, que eliminaria, por exemplo, o massivo controle de canais por políticos, como ele.


No mesmo infeliz vídeo o deputado federal Pedro Cunha Lima, justifica seu desejo de fechamento das emissoras públicas com a necessidade do olhar do Estado se voltar a outros setores essenciais como: educação, saúde etc.


O bom debate me impele a questionar o parlamentar: já que o caro deputado cita tamanha preocupação com a educação brasileira, ou creches mais especificamente, como mencionou, por que votou a favor do “Teto de Gastos”, que congela investimentos no setor por 20 anos??


Ao contrário de outros tempos, a atual Empresa Paraibana de Comunicação (que comanda o Jornal a União e a Rádio Tabajara), como preceitua a Constituição e como estabelece a premissa básica do bom jornalismo, tem como missão a prestação de serviço à sociedade paraibana e respeito a democracia e pluralidade de vozes, inclusive com espaço para todas as vertentes políticas do estado.


Vozes como a do próprio Pedro, que apesar de situar-se no grupo que faz oposição a atual gestão, tem espaço aberto nos microfones e, apenas este ano, já participou algumas vezes de programas na emissora.

274 visualizações0 comentário
 
 
pexels-photo-776153.jpeg

ENTRE EM CONTATO

Suas informações foram enviadas com sucesso!