O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

QUAL O VALOR DA SUA CARNE NO MERCADO??


O que há em comum na postura do Desembargador paulista “acima de todos” e o conceito fajuto de meritocracia??


Refiro-me ao episódio do senhor Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Um sobre-humano, superior aos decretos, as normas e, claro, bem acima de mim, de você, quiçá do “analfabeto” da Guarda Civil Municipal de Santos, que apenas cumpria seu papel fiscalizando a população na conduta de prevenção contra a pandemia do Coronavírus!!


Esta explicitação da obscura faceta humana me faz reviver estes tempos recentes de discurso em torno de meritocracia e todo este blá blá blá de retórica cômoda, que inunda o Brasil...


E “mergulhando” ainda mais na memória, me transportou até o princípio anterior de “mais capaz”!


Antes de ser definida como um sistema de governo, quase uma ideologia, essa máxima frágil pautada em um “tal mérito” já estava entre nós só que sem a pompa de um nome rebuscado dando conotação de trunfo, conquista baseada apenas na competência, capacidade.


E, tal qual hoje, desde sempre e nada curiosamente, este princípio de meritocracia foi evocado exatamente por aqueles que se privilegiam dela. É exaltação de ultra liberalismo econômico para cá, Partido Novo pra lá, Paulo Guedes no meio, João Amoedo na espreita e o mercadão em polvorosa, só atiçando fogo, feito fornalha...


Defendido a ferro e fogo por quem tem condição ampla de vantagem na disputa de mercado acadêmico, profissional etc...


Sou um destes privilegiados... isso não significa que não tenha tido batalha, esforço na minha trajetória, muito pelo contrário. Mas por questão natural de condições, a minha caminhada foi encurtada em comparação a maioria dos brasileiros...


Assim, por senso óbvio, refuto essa aura em torno da meritocracia, do mesmo modo que tenho aversão a lógica perversa do “mais capaz”!


Toda essa questão sempre me traz a mente a peça “A Gota d`água” de Chico Buarque e do paraibano Paulo Pontes. Li ainda na adolescência, mas carrego bem viva...


Mais que a bela obra de dramaturgia, uma adaptação da mitologia grega Medéia, tendo como palco os morros cariocas da década de 60, o que me marcou profundamente foi o prefácio, um verdadeiro tratado sociológico sobre a crueldade em que se sustenta o princípio de êxito social pautado em status e conquistas profissionais.


Além da negação a desigualdade histórica de condições, de acesso e tudo o mais, a máxima do “mais capaz” é responsável por outras mazelas como legitimar que, no final o que vale é a sua posição na pirâmide social, independente dos meios para alcançar este topo.


Assim, cria-se uma sociedade pautada na competitividade selvagem, voraz, sem escrúpulos e estabelece-se o status como objetivo principal em detrimento dos valores!


Não há qualquer nobreza simplesmente por ocupar posição de superioridade na pirâmide social, ou relações de poder!



“Cidadão, não! Engenheiro Civil formado, melhor do que você!!!”, essa fala de outro recente epísódio na tentativa de se impor pelo status social é só uma variação da clássica: “Você sabe com quem está falando??”


Isso é apenas um retrato familiar desgastado, surrado da velha tradição brasileira! A imagem emoldurada da nossa injustiça histórica e mediocridade social!

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