O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

UM LOCKDOWN PESSOAL, A FÉ E A VACINA PARA CURAR AS FERIDAS ABERTAS

Atualizado: Abr 6


Há tempos a necessidade de desacelerar fazia-se urgente na minha rotina!


Apesar de reconhecer, sentir, quase refletir sobre esta imposição natural que se colocava a mim, o projeto de amortecimento do ritmo de vida nunca passava de uma vaga idéia.


Se não foi por convicção, calhou por chegar através de “vias tortas”.


Na verdade, havia redirecionado as velas da minha jangada há poucos dias, em busca e um decantado vento noroeste, mas é inegável que o meu trajeto de hábitos em ritmo insano foi mesmo interrompido forçosamente pela questão de saúde.


Fui “parado” por uma repentina e avassaladora enfermidade. Cirurgia no joelho seguida de processo infeccioso que arrasta uma lenta e montanhosa recuperação há quase um mês, data da primeira, simples e original intervenção no menisco.


15 dias insone, dormindo 3, 4h por dia de maneira fragmentada.


Duas semanas inteiras de dor lancinante, intensa, intermitente.


Joelho inchado, travado, com a sensação de pesar uma bola de chumbo de 45 quilos.

Febres diárias, com pontualidade britânica.


Vejam só, isso não é um “diário de bordo” fúnebre, hospitalar. Não sou afeito a isso.


Menos ainda trata-se de discurso conformista cristão sobre a urgência de passarmos por agruras como um propósito claro divino, ou Karma em outras crenças, quiçá romantismo com sofrimento etc...


“Prato cheio” para o agourento, fiscalizador de espiritualidade alheia, logo questionar minha fé.


não me falta porque ela não costuma “faiá”. Mas falo de esperança natural, benfazeja, não essa “Fé Cega, faca amolada” tão decantada pelas igrejas normatizadoras de crenças por aí.


“A está” nas correntes de oração diversas, que acolho terna e gratamente, na reza a quem é de reza, nas “good vibrations” emanadas.


A está na companheira que vira médica, enfermeira e fisioterapeuta, praticando o “ser dez e ainda ser um”.


A é a tradução do altruísmo e dedicação extrema permanente dos meus pais que fincaram pé em João Pessoa há quase um mês para estarem ao meu lado, me acompanharem a todo instante e daqui não arredam pé.



A é a manifestação reenergizante dos filhos no simples olhar, companhia.


Fato é que, independente de crença, menos ainda pretensão de interpretar propósitos de Deus, ou deuses nos martírios de cada um...


Me cabe é aproveitar os processos da vida para autoanálise e busca evolutiva. Muito além de qual seja a sua religiosidade, ou que não seja, é sim imperativo a incessante procura por melhoramento.


Quanto a mim, tento fazer disso quase um mantra de vida, mesmo tropeçando novamente aqui e alhures. Mas a escolha pela caminhada já é redentora.


E eu não adoeci recentemente. Talvez essa tenha sido uma explanação física de questões anteriores, associam alguns... Algo como uma intervenção voluntária do próprio organismo. Uma espécie de freio de arrumação orgânico. Resposta espontânea e extrema à minha própria negligência. Faz sentido, mas não entro a fundo no mérito da causa e efeito. Me basta saber como conduzir a “oportunidade”, ou ao menos tirar proveito dela.


Eu já estava doente. De outra natureza, do momento tenebroso que se abate sobre o Brasil e todos os brasileiros, dessa pandemia cruel. Esse combo pesado associado ao ritmo alucinado que me move, da falta de olhar pra si, para o que se passa ao redor, do errar no zelo a mim, aos meus, do conter expansão de feridas abertas e problemas menores em expansão.


Como muitos, como humano, perdi o pé, esqueci o freio, out of control.


Feito e passado. Não há tempo para lamúria inativa. Sobra disposição e necessidade de rearrumação, restauração, reparação, reconciliação...


Sigo para o alvo. Firme, atento e forte.


Nos cuidemos todos. Contra o Covid e além...


*Título original de Eliseu Lins


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