O BURACO DA FECHADURA

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  • marcosthomazm

VOCÊ SAMBA DE QUE LADO???


Dia desses, nesta reta final de campanha eleitoral, fui abordado por um conhecido, na verdade colega microempresário, sobre o cenário que está posto de candidaturas e propostas. Em meio a assuntos em comum relacionados as nossas respectivas atividades econômicas e dificuldades do mercado em recessão ele emendou: “agora tem candidato querendo sobretaxar grandes fortunas!!

Isso é um absurdo (continuava resoluto)... nós trabalhamos a vida toda buscando um dia chegar a ser rico para ter que pagar mais quando enfim conseguirmos??”. Após uma constrangedora pausa em respeito as gerações mortas dele e uma despedida entre sorrisos amarelos sigo até agora tentando compreender a linha de raciocínio dele, que por mais absurda que se apresente, se replica em milhões de outros brasileiros. E penso que, em uma equação dessa magnitude, não se quebra a cabeça sozinho. Resolvi dividir estas indagações. Vamos exercitar...



Sem qualquer pretensão de aprofundamento ou abordagem sociológica não é difícil constatar que o caso se trata da conhecida crise de identidade, tão comum ao brasileiro médio, quase um mal endêmico. Muito além de aspirações a ascensão sócio econômica (que é legítimo a qualquer um) o problema da classe média brasileira é o “reflexo do espelho”! Ela se enxerga representada onde nunca está, se identifica com as elites, sonha o sonho dos poderosos, se alimenta das sobras dos ricos, e o pior, se solidariza com eles! Isso mesmo, um cidadão assalariado brasileiro é capaz de “sentir a dor” dos poderosos, mas não de se indignar com a miséria da imensa leva de brasileiros abaixo dele na brutal pirâmide econômica nacional!! A classe média brasileira historicamente escolheu um lado. E ele nunca é do mais fraco nesta sangrenta arena.


Um dos lamentos mais recorrentes em ambientes de toda natureza aqui abaixo dos trópicos é a crítica torpe ao Bolsa Família e demais programas sociais. Sem nenhum pudor atribuem aquilo que significa a única garantia de alimentação a milhões de brasileiros a pecha de “muleta” para vagabundos e preguiçosos. O absurdo se amplia quando percebemos que a média do benefício é de, pasmem, 150 reais por família. Ou seja, estamos falando de algo em torno de 1 décimo do valor de um salário mínimo. Quem quer deixar de ter uma renda dez vezes maior, ou pior, quem sustenta uma família com 150 reais neste país??



Fonte: Caros Amigos / Terceira Guerra Mundial: contra os pobres.

O custo total do Bolsa Família representa menos de 0,5% do PIB brasileiro com assistência a quase 50 milhões de pessoas. Estamos dizendo que ¼, 25% da população brasileira possui segurança alimentar através deste programa e por este valor. Para se ter uma idéia da dimensão disso, apenas com auxílio moradia, a União dispendeu em 2018, o valor equivalente a quase metade do custeio de todo o Bolsa Família! Mas contra o auxílio moradia as queixas são tímidas, não valem panelaço, nem redundam em ódio exacerbado.


Vivemos em um país extremamente desigual, onde apenas 5% dos mais ricos detem a renda equivalente a soma dos outros 95%. Apenas seis bilionários concentram o mesmo rendimento dos 100 milhões de brasileiros mais pobres. É uma pirâmide injusta, cruel, acachapante.


O sistema já conflui para a estrutura permanecer no desenho atual, mas você aí precisa definir de que lado está. Precisa resolver seu conflito de identidade entre o projeto pessoal de se transformar em um novo rico e a realidade em que está inserido. Precisa olhar para seus pares e irmãos com olhar humano e solidário. Antes de mais nada precisa entender que não existe país desenvolvido, sem justiça social. E não existe justiça social sem distribuição de riqueza. E divisão de riqueza depende de desconcentração de renda. Lembrar, lembrar sempre, como quem repete um mantra, que quem mais precisa está no andar de baixo e não nos pisos superiores!



“O DE CIMA SOBE E O DE BAIXO DESCE...”

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